Diminua os passos,vá devagar. Sinta a brisa.Você chegará lá,seja no hospital,no trabalho ou até mesmo dentro de um coração.Antes de chegar,vá conhecer a luz do sol, conheça a vida de um mendigo. Cheguei hoje,mas estou indo embora.São seus irmãos deitados ali naquela ponte,aquelas crianças são da tua raça. Há muita estrada pra conhecer seus pés, a muitos ouvidos para te ouvir e muitas bocas esperando que sejam escutadas.Cultive o dom da capacidade.Esse mundo foi feito para nós. SERES,inclusive os humanos. As árvores levaram um tempo para serem altas,e esbeltas. Bastou um segundo para que derrubassem-nas. Conhecer as vidas,alem das que nos cercam.É porque nos dividimos em grupos,classes,estilos,aparência. Mal sabemos que somos todos um só. Porque tínhamos que nos soltar? Separamos um corpo.Matamos um corpo.Todo mundo erra,todo mundo se magoa,todo mundo tem um história.Não estamos sozinhos,o fato é que tínhamos que cuidar um do outro.Temos corações diferentes,cada um pulsa de um jeito, mas todos juntos formariam um só coração.Há pessoas que agem com os olhos.E outras que são motivadas pelo coração.Johnny,era triste. Catava latinhas na rua. Johnny viu meu carro,se dirigiu a este,e antes que ele pudesse dizer eu o cortei:-Não tenho nada.-Nem ouvidos?-Que brincadeira é essa? Não tá vendo que tenho ouvidos?- Ora então me escute. Não quero sua esmola,quero te contar.-Contar o que? Não tenho tempo meu rapaz.-Eu já falei que não quero sua esmola. Ri.Estacionei o carro e soltei:- Estou ouvindo.- Depois que virei pobre,perdi os amigos.- Pobre nasce pobre.- Rico nasce rico?Confesso que me confundi um pouco.- Você,nestes trapos quer me convencer de que foi rico?- Fui não. Sou.- Qual é seu nome?- Meu sobrenome é forte.- Qual é?- Forte!- Seja claro.- Meu nome é Antônio Johnny Forte.Ri.-Você não é rico!-Como não? Quer ter amigos mais sinceros,do que os meus?-Amigos? Aqueles selvagens que lutavam com você por um pedaço de pão?-São sinceros. Ora,seus amigos vivem te passando a perna,lutando por um pouco do seu dinheiro e interesses. A única diferença é que brigamos por comida, e não precisamos disfarçar.Calei-me.-Jonny,como você se tornou mendigo?- Foi quando decidi parar de fingir que vivia em um mundo normal.Quando abri os olhos pra verdade,e vim pra ruas, dividir o chão com os outros mendigos.-Dividir o chão?- Deus,nos deu a terra fértil, e o grão produtivo, vocês,taparam isso com casas.- Você é ingénuo.- Eu? Olha bem,muda as circunstâncias,troca os personagens. Você que não aceita que essa realidade TRÁGICA seja real.- Ora,por favor, diga logo o que quer.- Junte se a nós!- O QUE!? Um mendigo? NEM PENSAR!- Não um mendigo. Um irmão.- Sou ateu.- E em um futuro melhor você acredita?Entrei no carro sentei, e antes de fechar a porta disse:- Amigo,assisti minha filha morrer quando ela só tinha 8 anos, e assisti a minha esposa morrer de depressão.Fui criado por meus avós,que hoje não estão mais entre nós.Não tive irmãos. A vida foi traiçoeira comigo. Se o futuro vai ser melhor agora,não me importa. Não há mais no que acreditar.- Algumas pessoas da sua família ainda não morreram. Estamos ligados.Mesmo que eu não quisesse,chorei,por lembrar de minha vida miserável.Arranquei com o carro.No escritório,as palavras do mendigo ecoavam em minha cabeça "estamos todos ligados". Levantei-me e olhei para a janela,vi uma mãe,agarrada no filho, e os dois rindo.- Licença...- era minha secretária,Michelle.- O que é?- Uns papeis para o senhor.-Coloque-os na mesa.O celular de Michelle havia tocado,ela pediu licença.Cedi.Ela falou com tanto carinho no telefone,e ao desligar perguntei:- Filhos?- Não,é uma senhora do asilo o qual eu faço trabalho voluntário.- Trabalho voluntário? Perda de tempo,em vez de descansar,trabalhar.- Não é trabalho interagir com os de minha raça.E saiu.De repetente,notei que Johnny apenas queria me dizer,que todos somos irmãos,de criação mais somos.Viemos da mesma geração.Somos da mesma espécie.Somos um só.
Corri,para a Avenida,na qual conheci Johnny,um transito sem motivos,levei uma hora para chegar.Desci do carro logo que cheguei.Havia um tumulto ali,após tentar muito me infiltrei.Havia um corpo estirado no chão e mancha de sangue.ERA JOHNNY!Meu Deus,deixei mais um irmão morrer.-O que houve, eu o conhecia!- A uma hora e uns 30 minutos,algum maluco,saiu arrancando com o carro,e atingiu esse rapaz.Perda nenhuma.Riu.Como fleches,as cenas das minha ultimas palavras com Johnny. E me veio,fiquei no escritório por uns 30 minutos,foi o mesmo tempo.Eu matei meu irmão. Chorei,como nunca. E decidi,nunca mais matar meus irmãos atropelados,de fome ou de frio. São da minha família. E estão na minha casa,meu país. Meu mundo.
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